Idosos impulsionam o mercado de cosméticos e beleza

Data: 10/04/2013
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A servidora pública Maria Ortência Ribeiro Braga, 67 anos, não abre mão de uma maquiagem bem feita. Não importa o dia, se vai trabalhar ou ficar em casa, ela nem mesmo chega à mesa de café da manhã sem fazer uma superprodução. Assim que acorda, divide o tempo entre os cuidados com o cabelo, o rosto e o corpo. E faz questão de tudo: cremes, base, corretivo, pó, sombra, iluminador, muito blush e batom. Por mês, gasta pelo menos R$ 1 mil com esses produtos e com os tratamentos faciais e capilares. Com a vaidade herdada da avó ainda na adolescência, Maria Ortência contribui para impulsionar um setor que, além de estar entre os mais promissores no Brasil, passa por uma verdadeira transformação para atender a terceira idade, como mostra o segundo dia da série de reportagens do Correio sobre esse público.

Cada vez mais representativos em um país que entrou na rota da prosperidade, os idosos compram itens de beleza com vigor. Não à toa, a estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) é de que o consumo desses itens quase dobre até 2015, passando dos R$ 27,3 bilhões de 2010 para R$ 50 bilhões. O investimento anual das empresas deverá aumentar numa proporção ainda maior em igual período: de R$ 9,3 bilhões para R$ 20 bilhões. A revolução é tamanha que o Brasil está prestes a superar o Japão e se tornar o segundo no ranking mundial de perfumaria e cosméticos, atrás apenas dos Estados Unidos.
Euforia
Motivos para euforia não faltam. Com o envelhecimento acelerado da população, esse mercado bilionário está na corrida para se adaptar ao público idoso, que, em 2050, chegará a 65 milhões de pessoas, três vezes mais que os atuais 20,5 milhões. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram ainda que 92% das mulheres na terceira idade consomem cosméticos e 57% compram produtos de maquiagem.
Diante de sinais tão claros e do aumento da competitividade, os empresários já entenderam que um dos caminhos mais eficientes para o sucesso nesse ramo é atender a demanda de públicos específicos. A Natura, que já havia criado há 19 anos o antissinais Chronos 60, lançou em 2011 a linha VôVó, com itens como colônia, sabonete líquido, hidratante e creme de massagem. “O mote é resgatar o relacionamento entre avôs e netos. Tanto que elaboramos um álbum de memórias para que eles relembrem histórias e montem sua árvore genealógica”, diz Luis Gustavo Martini, gerente regional de Marketing da empresa de vendas diretas.
 
A seu ver, a ascensão de 40 milhões de brasileiros à classe média nos últimos 10 anos, muitos da terceira idade, também contribuiu para alavancar as vendas no setor. Não por acaso, a Natura planeja ampliar o portfólio de itens para esse público nos próximos anos. “São pessoas que estão ávidas por experimentar produtos aos quais elas não tinham acesso. Elas querem viver mais e com qualidade de vida”, afirma Martini.
Artur Grynbaum, presidente executivo de O Boticário, afirma que se, há uma década, as pessoas começavam a se preocupar com a pele aos 30 anos, hoje, esses cuidados começam aos 16. “Num passado recente, a população pegava sol sem protetor e não mensurava o efeito desse tipo de exposição. Agora, ela sabe que vai viver mais e quer esti